Um blog que talvez seja de pequenas reflexões sobre política, filosofia, arte e X-Men. Vamos ver.
In: Poesia
16 out 2010Seus olhos, fechados?
Podem estar, nesse momento
Em que tudo parece estar acontecendo?
Mas não aqui, lá fora,
Onde as coisas se insinuam
E andam espreitando,
Embora todos saibam que estão por aí
Ainda se escondem,
Se subtraem à atenção,
Ofuscam-se, dissimulam-se
E gemem.
.
As coisas lá fora
E você dentro, mas não aqui
Não onde eu possa ter certeza que seus olhos estão abertos
E que seus ouvidos captam os gemidos
E que as silhuetas das coisas que espreitam se desenham na sua mente,
Sem saber se você espera a sua vinda
Ou talvez a minha, se imagina se te imagino desprecavida.
.
Mas se imagina, para onde eu poderia levá-la,
Que lugar poderia ser este, que eu não conheço,
Mas você talvez sim, se você imagina,
A minha vinda, a nossa fuga, nosso refúgio,
Em algum lugar que eu desconheço.
Será que você imagina que eu viria, mesmo sem ter para onde levá-la,
Que teria para mim que você pensava em mim
Que eu viria para o resgate, esperando a sugestão do refúgio,
Pensada nesse momento mesmo por você.
.
Agora, seus olhos fechados, pensativos,
Imaginam a fuga, a rota, o esconderijo,
O momento da partida, da minha chegada
Enquanto você ainda busca o destino,
Com olhos fechados para conter a expectativa,
Com olhos fechados que não veriam a minha chegada.
.
Com olhos fechados, focados no caminho,
Nos perigos de nós trânsfugas,
Testando a segurança do esconderijo,
Com olhos serrados, pensativos,
Talvez acordados, talvez dormindo,
Entre imagens recordadas, projetadas, retidas,
.
Contidas nos olhos, nos olhos cegados
Para a chegada das coisas que espreitam
Enquanto penso se é já a hora de te resgatar
Ou se, agora mesmo, já é tarde demais.
.
Cosmicídio Atômico
Estudante de Filosofia, formado em história, comunista e fã de Bowie.
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil